Sustentabilidade das coops: muito além da questão ambiental [O Jornal - Concórdia]

Sustentabilidade das coops: muito além da questão ambiental [O Jornal - Concórdia]

Nos últimos anos, muito se tem falado sobre sustentabilidade. Observo nas minhas passagens por diferentes regiões do país que o termo ganhou força no discurso empresarial, acadêmico e político, mas, com frequência, é usado de forma superficial, quase como sinônimo de ações ambientais pontuais. No entanto, quando tratamos do tema, o conceito precisa ser ampliado e compreendido em sua essência: sustentabilidade é a capacidade de um sistema se manter ao longo do tempo.

As cooperativas, por natureza, são organizações que nascem da união de pessoas em torno de um propósito comum. Elas equilibram resultados econômicos com valores sociais, gerando benefícios coletivos que vão além do aspecto financeiro. Mas, para que esse modelo se mantenha vivo e competitivo, é necessário pensar sustentabilidade em múltiplas dimensões: econômica, social, ambiental, institucional e humana.

A primeira dimensão é a econômica. Uma cooperativa sustentável é aquela que consegue gerar valor e resultados de forma contínua para seus associados, nos patamares do mercado. Isso envolve eficiência de gestão, inovação constante e capacidade de adaptação a novos contextos econômicos.

Na dimensão social, a sustentabilidade está na valorização do cooperado, na formação de lideranças e na sucessão geracional. Cooperativas que não formam novos líderes ou que não envolvem as próximas gerações em seus valores e objetivos perdem vitalidade e relevância ao longo do tempo.

Já a dimensão ambiental deve ir além do cumprimento de normas. É preciso integrar práticas que respeitem o território, reduzam impactos e fortaleçam o vínculo com as comunidades locais. Uma cooperativa que entende o ambiente como parte de seu ecossistema de negócios se torna mais resiliente.

Há também uma dimensão institucional, que envolve segurança jurídica, governança e atendimento a normas de regulação. A sustentabilidade institucional garante previsibilidade e confiança.

Por fim, existe a dimensão humana, que talvez seja a mais desafiadora. Sustentabilidade também é cuidar das pessoas: dos colaboradores, dos cooperados e dos consumidores. É oferecer qualidade de serviço, ouvir o cliente e/ou cooperado, aprimorar processos e manter viva a cultura de cooperação que deu origem ao movimento cooperativo.

Sustentabilidade, portanto, não é apenas focar na questão ambiental. É garantir que a cooperativa continue relevante, inovadora e fiel aos seus princípios. É compreender que o desafio não está apenas em “ser sustentável”, mas em permanecer sustentável em vários aspectos, como sistema, como cultura e como comunidade.

Em um mundo em que a pressa substitui o propósito, as cooperativas têm a oportunidade de mostrar que desenvolvimento e permanência podem andar juntos. Ser sustentável, afinal, é continuar fazendo sentido.

@Speaker_Alexandre_Garcia

| Palestrante | Escritor | Pesquisador | Doutor em Inovação | Facilitador | Professor de Pós Graduação |